A Maratona que durou 54 anos: A Incrível História de Shizo Kanakuri
Postado em 16 dez 24

Imagem: Reprodução / Domínio Público

A história do esporte está repleta de feitos extraordinários, mas poucos são tão curiosos e inusitados quanto a trajetória de Shizo Kanakuri, um maratonista japonês que “desapareceu” durante as Olimpíadas de 1912, em Estocolmo, e só terminou a corrida mais de meio século depois. Prepare-se para descobrir como um pequeno cochilo transformou-se em uma das histórias mais peculiares das Olimpíadas!

O Começo de Tudo: Um Jovem Promissor no Japão

No início do século XX, o Japão estava dando seus primeiros passos no cenário esportivo internacional. Shizo Kanakuri, um jovem talentoso e dedicado à corrida, foi escolhido para representar o país na maratona das Olimpíadas de Estocolmo em 1912. Na época, ele era considerado um dos melhores maratonistas japoneses, conhecido por sua determinação e habilidade nas longas distâncias.

A jornada até a Suécia, porém, foi uma maratona por si só. Kanakuri enfrentou 18 dias de viagem por mar e terra para chegar a Estocolmo. O desgaste da viagem, somado ao intenso calor do dia da prova (inusitado para o clima sueco), formou uma combinação desafiadora que mudou o curso de sua vida.

Shizo Kanakuri em foto sem data. Créditos: Getty Images / Bettmann

O Desaparecimento Durante a Maratona

No dia da maratona, o calor era sufocante, e Shizo Kanakuri começou a sentir os efeitos da exaustão no meio do trajeto. Ao passar por uma vila próxima, ele foi acolhido por uma família local que ofereceu água e um lugar para descansar. O jovem maratonista, completamente esgotado, aceitou o convite e acabou adormecendo profundamente.

Quando acordou, a corrida já havia terminado. Sentindo-se humilhado por não concluir a prova, Kanakuri deixou a Suécia em silêncio, sem informar os organizadores do evento. Para todos os efeitos, ele havia “desaparecido”, e assim surgiu um dos maiores mistérios das Olimpíadas de 1912.

O Retorno Triunfal Após 54 Anos

Décadas se passaram, e a história de Kanakuri foi praticamente esquecida. Mas, em 1967, um jornalista sueco descobriu que o “maratonista desaparecido” estava vivo e morava no Japão. O reencontro foi emocionante, e Kanakuri recebeu um convite especial para retornar à Suécia e finalmente terminar a corrida.

Shizo kanakuri ‘completando’ a prova aos 75 anos. Créditos: L’Eco Di Bergamo

Com muito bom humor, Shizo Kanakuri aceitou o desafio e, aos 75 anos, cruzou a linha de chegada da maratona que começara 54 anos antes. Sua declaração sobre o evento tornou-se icônica:
“Foi uma corrida longa. No caminho, casei, tive seis filhos e dez netos.”

O Legado de Kanakuri

Shizo Kanakuri tornou-se uma lenda no Japão, não apenas por sua façanha olímpica, mas também por seu papel como um dos fundadores do atletismo japonês. Ele participou de outras edições das Olimpíadas e incentivou inúmeras gerações de atletas.

Sua história é um lembrete de que até mesmo os “fracassos” podem se transformar em marcos históricos cheios de aprendizado, humor e resiliência.

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